De acordo com a Agência IBGE, os gastos com viagens nacionais com pernoite somaram R$ 22,8 bilhões em 2024, representando um salto de 11,7 % em relação aos R$ 20,4 bilhões de 2023.
Curiosamente, não houve aumento significativo no número de viagens: foram realizadas 20,6 milhões de viagens totais (nacionais + internacionais), número praticamente estável frente a 2023.
Esse cenário indica que o turista não viajou mais — mas gastou mais. As razões estão no custo médio elevado, escolhas de hospedagens mais sofisticadas ou destinos mais caros por viajante.
Panorama do perfil de viajante e segmento de mercado
Alguns pontos-chave emergem da pesquisa e merecem atenção do trade:
- Motivação: 85,5 % das viagens tiveram finalidade pessoal — o lazer lidera (39,8 %) e visitas/eventos de amigos ou familiares vêm como segundo motivo (32,2 %).
- Destinos de lazer: praia e sol ainda são preferidos em 44,6 % dos casos, mas houve queda dessa proporção histórica — sinal de diversificação crescente para cultura e gastronomia.
- Hospedagem: a opção mais usada continua sendo casa de amigo ou parente (40,7 % das viagens). Hotéis e resorts aparecem em 18,8 %.
- Transporte: os meios não-coletivos (carro particular ou de empresa) lideram com 50,7 %, seguidos por avião (14,7 %).
- Distribuição regional de gasto:
- Sudeste liderou com R$ 8,7 bilhões;
- Nordeste com R$ 7,4 bilhões;
- Sul com R$ 4,1 bilhões; regiões Norte e Centro-Oeste foram menores em volume.
- O gasto médio por viagem varia bastante: destinos no Nordeste geraram média de R$ 2.523, enquanto na região Norte ficou em R$ 1.263.
- Barreiras à viagem: entre os 62,8 milhões de domicílios sem viagem em 2024, o principal motivo apontado foi “falta de dinheiro” (39,2 %), seguido por falta de tempo.
- Renda e desigualdade de acesso: enquanto domicílios com renda per capita de 4 ou mais salários mínimos registraram 45,7 % de incidência de viajantes, entre aqueles com renda menor que meio salário mínimo só 10,4 % registraram viagens.
Esses dados revelam que viajar ainda é privilégio de segmentos com maior poder aquisitivo e que ajustes de preços, pacotes e segmentação serão fundamentais para crescer.
Desafios e tendências que o trade turístico precisa antecipar
Com este cenário em mãos, o setor turístico (agências de viagens, hotéis, receptivos, operadoras) deve observar e reagir a algumas tendências e desafios emergentes:
- Pressão nos preços e controle de custos
Viagens mais caras exigem maior eficiência operacional. Quem souber gerenciar despesas (energia, manutenção, pessoal) terá margem melhor para conceder promoções ou atrativos sem sacrificar rentabilidade. - Personalização e segmentação
Viajantes de diferentes perfis (faixa de renda, motivação, região) têm comportamentos distintos. Pacotes exclusivos para turismo cultural, gastronomia ou experiências locais podem conquistar nichos que buscam algo além de praia. - Flexibilidade e adaptação a demanda reprimida
Muitos domicílios ainda não viajam por restrições financeiras ou de tempo. Produtos modulares (diárias flexíveis, pacotes curtos, vouchers) podem estimular viagens em janelas menores. - Parcerias estratégicas
Investir em alianças com influenciadores regionais, empresas locais, gastronomia, eventos culturais pode gerar experiências integradas que justifiquem preços mais altos. - Melhor aproveitamento da sazonalidade regional
Alguns estados e destinos tiveram gastos médios mais elevados — explorar isso com campanhas temáticas pode atrair turistas de regiões vizinhas e redistribuir fluxo. - Comunicação clara sobre valor percebido
O cliente está mais exigente: valor agregado, exclusividade, experiência e segurança contam muito. Transparência nos serviços (cancelamento, seguro, higiene) é crucial para ganhar confiança. - Digitalização e dados para tomada de decisão
Ferramentas de CRM, análise de perfil do cliente, automação de marketing e precificação dinâmica são ativos essenciais para competir num mercado com margens apertadas. - Sustentabilidade e turismo responsável
Valorização de destinos menos explorados, práticas sustentáveis e experiências locais autênticas agregam valor simbólico e podem justificar preços premium.
Conclusão: o trade turístico deve agir agora
O crescimento de 11,7 % nos gastos com turismo nacional em 2024 — sem aumento no número de viagens — revela um mercado mais exigente e seletivo. O viajante está disposto a pagar mais por valor, qualidade e experiência, mas ainda é sensível a preço e acessibilidade.
Para agências, hotéis e receptivos, a hora é de:
- ajustar custos e otimizar operações;
- personalizar ofertas conforme perfil do cliente;
- diversificar produtos para segmentos de cultura, gastronomia e experiências;
- investir em comunicação de valor e digitalização.
Fonte: Agência IBGE
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